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Tema deste Mês

Estudo mostra que o preconceito de gênero na ciência é real. Saiba aqui por que isso importa.

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Por Ilana Yurkiewicz | 23 de setembro de 2012

O artigo original foi publicado no blogue Unofficial Prognosis, hospedado na página da publicação americana Scientific American, e pode ser lido no endereço

http://blogs.scientificamerican.com/unofficial-prognosis/2012/09/23/study-shows-gender-bias-in-science-is-real-heres-why-it-matters/

É difícil provar o preconceito de gênero. Em um cenário do mundo real, o máximo que tipicamente pode ser feito é identificar diferenças em resultados de fato. Um homem é preferido a uma mulher na contratação para um emprego; um número menor de mulheres chega a cargos docentes efetivos; há uma disparidade de gênero em publicações. Pode-se suspeitar de tratamentos desiguais em alguns casos, mas a dificuldade em utilizar resultados para demonstrar isso é que as diferenças poderiam ser devidas a muitos fatores potenciais. Podemos especular: talvez mulheres tenham menor interesse pelo campo. Talvez elas façam escolhas de estilo de vida que as afastem dos postos de liderança. Em um cenário de mundo real, em que um número qualquer de variáveis pode contribuir para um resultado, é essencialmente impossível separá-las e precisar aquela que é a causa.

A única maneira de fazer isso seria por meio de um experimento em condições controladas e randomizado. Isto significa criar uma situação na qual todas as variáveis exceto aquela de interesse fossem mantidas iguais, de modo que as diferenças de resultado pudessem de fato ser atribuídas àquele fator que variou. Se é na desigualdade de gênero que estamos interessados, isso significaria comparar as reações ante dois seres humanos idênticos – idênticos em inteligência, competência, estilo de vida, objetivos, etc. – com a única diferença entre eles sendo que um deles é um homem e o outro, uma mulher. Não exatamente uma situação que exista no mundo real.

Mas em um estudo pioneiro de Corinne Moss-Racusis e colegas, publicado na semana passada em PNAS, foi exatamente isso o que foi feito. Na quarta-feira, Sean Carroll comentou em seu blogue e trouxe à luz a pesquisa com cientistas de Yale a quem foi destinado o portfólio de um estudante candidato a uma vaga de diretor de laboratório e que pretendia seguir para a pós-graduação.

Metade dos cientistas recebeu o material com um nome masculino para o proponente, e a outra metade recebeu exatamente o mesmo material, porém com um nome feminino anexado. Os resultados mostraram que os candidatos “do sexo feminino” foram classificados de maneira significativamente inferior àqueles “do sexo masculino” em competência, empregabilidade e quanto à disposição do cientista a ser o orientador do estudante. Os cientistas também ofereceram salários iniciais mais baixos aos candidatos “do sexo feninino”: US$ 26.507,94 comparados a US$ 30.238,10.

Isso é realmente importante.

Sempre que o assunto de mulheres na ciência vem à tona, apresentam-se pessoas ferozmente comprometidas com a ideia de que o sexismo não existe. Essas pessoas irão apontar para tudo e para qualquer outra coisa a fim de explicar as diferenças e vão se mostrar indignadas e condescendentes assim que você apenas sugerir que a discriminação poderia ser um fator. Mas essas pessoas estão erradas. Os dados mostram que estão erradas. E se você vier a se encontrar com elas, você já pode usar esse estudo para informá-las de que estão erradas. Você pode dizer que um estudo mostrou que, com todos os demais fatores sendo rigorosamente iguais, as mulheres são discriminadas na ciência. O sexismo existe. É real. Certamente, você não pode e não deve argumentar que isso é tudo. Mas, não há mais como argumentar que não seja nada.

Não estamos falando aqui sobre igualdade de resultados; esse achado mostra discrepâncias no que diz respeito à igualdade de oportunidade.

Aqui vão três razões adicionais pelas quais esse estudo merece ser visto como importante.

1) Tanto cientistas do sexo masculino quando do feminino foram igualmente implicados em decisões que acarretavam desigualdades de gênero. Sim – mulheres também podem se comportar de maneira sexista. Mulheres precisam examinar suas atitudes e ações em relação a outras mulheres tanto quanto os homens. O que isso sugere é que as desigualdades provavelmente não surgiam de uma misoginia franca, mas eram antes uma manifestação de preconceitos mais sutis internalizados a partir de estereótipos presentes na sociedade.

Se o corpo docente expressa preconceitos de gênero, não estamos sugerindo que tais preconceitos sejam intencionais ou sejam provenientes do desejo consciente de impedir o progresso das mulheres na ciência. No passado, estudos indicaram que o comportamento das pessoas é moldado por predisposições implícitas ou não intencionais, advindas de uma exposição contínua a estereótipos culturais disseminados que retratam as mulheres como menos competentes…”

2) Quando cientistas julgavam proponentes mulheres de modo mais severo, eles não empregavam raciocínio sexista. Em vez disso, eles se baseavam em razões aparentemente sólidas para justificar o porquê de não quererem contratá-las: ela não é competente o bastante. Sexismo é uma palavra pesada, muitos de nós só nos sentimos confortáveis para identificá-lo quando é exibida uma linguagem ou um comportamento explicitamente misóginos. Porém, isso mostra que você não precisa fazer uso de linguagem anti-mulheres nem mesmo dar abrigo conscientemente a crenças anti-mulheres para agir de modos que sejam efetivamente em prejuízo das mulheres.

Em termos práticos, esse fato faz com que se torne muito fácil que uma mulher internalize críticas injustas como sendo válidas. Se o seu trabalho é rejeitado por uma razão obviamente ruim, tal como “é porque você é uma mulher”, você pode simplesmente repudiar quem a rejeitou como alguém preconceituoso e, portanto, não digno de ser levado a sério. Mas, se alguém lhe diz que você é menos competente, é fácil aceitar isso como verdade. Afinal, por que você não deveria? Quem é que vai querer passar a vida constantemente tentando distinguir quais críticas de superiores são baseadas no conteúdo do seu trabalho e quais são indevidamente influenciadas pelas características acidentais de quem você aconteceu de ser? Infelizmente, também, muitas mulheres não estão atentas a discriminações sutis de gênero. Fazer essas reclamações está fadado a ser uma tarefa complexa e imperfeita. Mas não reconhecer isso quando está acontecendo significa aceitar: “Eu não sou competente”. Significa acreditar: “Eu não sirvo para esse emprego”.

3)Por mais perturbadores que sejam estes resultados, eles também são críticos para alcançar soluções. Que os preconceitos contra mulheres sejam com frequência inconscientes significa que as pessoas necessitam de um empurrão extra para percebê-los e combatê-los. Estou disposta a apostar que muitos dos que participaram neste estudo, assim como as pessoas que fazem testes de associações implícitas, ficariam aborrecidos em saber que inconscientemente discriminam mulheres, e iriam querer consertar isso. Preconceitos implícitos não podem ser superados até que sejam notados, e esse estudo realiza esse primeiro passo essencial: a tomada de consciência.

A partir da leitura dos comentários ao artigo de Sean Carrol, a maior parte das pessoas que leem isso tendem a exibir uma destas quatro reações :

1) Isso não me surpreende, mas estou contente por termos algo concreto para mostrar aquilo que sempre soubemos.

2) Isso é surpreendente e perturbador.

3) A Figura 2 induz a conclusões erradas, pois o eixo y não começa no zero. Por isso, vou rejeitar todo o mais que foi exposto por esse estudo.

4) Mulheres igualmente qualificadas devem ser discriminadas, tendo em vista que elas poderiam ficar estressadas e ficar grávidas.

Receio que os de número 4 existam, e pela minha experiência eles não estão muito inclinados a mudar de opinião.

O que é importante é que os de número 2 estão por aí. Certamente, uma parte da desigualdade de gênero no ambiente de trabalho ainda assume a forma de misoginia descarada. Mas, uma grande porção dela não. É sutil. É inconsciente. E muitas pessoas que a perpetram, se se tornassem conscientes do que estão fazendo, iriam querer mudar. Certa vez, soube de um professor que, sempre que ia falar de ciência buscava regularmente o contato visual com interlocutores homens; apenas quando essa observação foi apontada a ele é que ele veio a perceber que o fazia, e ficou agradecido por alguém ter-lhe dito para que pudesse mudar.

Os de número 2 existem, mas apenas podem mudar se conhecerem os fatos. Estes são os fatos: mulheres igualmente competentes na ciência são tidas como menos competentes em razão do seu gênero. Lembre-se disso. Mencione isso. E se você quer mudar, eu insistiria para que você compartilhasse esses fatos com o maior número de pessoas possível.

Ilana Yurkiewicz

Sobre a autora: Ilana Yurkiewicz é estudante do segundo ano da Escola de Medicina de Harvard, e bacharel em biologia pela Universidade de Yale.

Ela foi repórter de ciências do The News & Observer em Rayleigh, Carolina do Norte por meio de sua associação ao AAAS Mass Media, e depois disso passou a escrever para o Science Progress de Washington. Ela possui interesse acadêmico em bioética e atualmente conduz pesquisa em ética em Harvard, tendo feito parte da Comissão Presidencial para o Estudo de Questões de Bioética.

Siga no Twitter twitter.com/ilanayurkiewicz.

Gratuidade das Aves e dos Lírios

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Gratuidade das Aves e dos Lírios

‘Sempre que a gratuidade ousa em minhas palavras,
elas são abençoadas por pássaros e por lírios.

Os pássaros conduzem o homem para o azul,
para as águas, para as árvores e para o amor.

Ser escolhido por um pássaro para ser a árvore dele:
eis o orgulho de uma árvore.

Ser ferido de silêncio pelo vôo dos pássaros:
eis o esplendor do silêncio.

Ser escolhido pelas garças para ser o rio delas:
eis a vaidade dos rios.

Por outro lado, o orgulho dos brejos é o de serem escolhidos
por lírios que lhes entregarão a inocência.

(Sei entrementes que a ciência faz cópia de ovelhas, que a ciência produz seres em vidros -louvo a ciência por seus benefícios à humanidade, mas não concordo que a ciência não se aplique em produzir encantamentos.)

Por quê não medir, por exemplo, a extensão do exílio das cigarras?

Por quê não medir a relação de amor que os pássaros tem com as brisas da manhã?

Por quê não medir a amorosa penetração das chuvas no dentro da terra?

Eu queria aprofundar o que não sei, como fazem os cientistas, mas só na área dos encantamentos.

Queria que um ferrolho fechasse o meu silêncio,
para eu sentir melhor as coisas incriadas.

Queria poder ouvir as conchas quando elas se desprendem da existência.

Queria descobrir por quê os pássaros escolhem a amplidão para viver
enquanto os homens escolhem ficar encerrados em suas paredes.

Sou leso em tratar com máquina; mas inventei, para meu gasto,
um Aferidor de Encantamentos.

Queria medir os encantos que existem nas coisas sem importância.

Eu descobri que o sol, o mar, as árvores e os arrebóis são mais enriquecidos pelos pássaros do que pelos homens.

Eu descobri, com o meu Aferidor de Encantamentos, que as violetas e as rosas e as acácias são mais filiadas dos pássaros do que os cientistas.

Porque eu entendo, desde a minha pobre percepção, que o vencedor, no fim das contas, é aquele que atinge o inútil dos pássaros e dos lírios do campo.

Ah, que estas palavras gratuitas possam agora servir de abrigo para todos os pássaros do mundo!’

[Manoel de Barros]

Señor presidente (Los Mocosos)

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[youtube http://www.youtube.com/watch?v=aT9JoCjST-Y]

Señor presidente

lo que traes en la mente

es muy diferente

de lo que piensa tu gente…

A VIDA BATE de Roberta Weingartner

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A VIDA BATE de Roberta Weingartner.

Para quem já teve ou quer ter a experiência de APRENDER A VER PELA VIA DAS ARTES.

Tela da série A VIDA BATE, de Robera Weingartner

A vida bate

Ferreira Gullar

Não se trata do poema e sim do homem
e sua vida
- a mentida, a ferida, a consentida
vida já ganha e já perdida e ganha
outra vez.
Não se trata do poema e sim da fome
de vida,
o sôfrego pulsar entre constelações
e embrulhos, entre engulhos.
Alguns viajam, vão
a Nova York, a Santiago
do Chile. Outros ficam
mesmo na Rua da Alfândega, detrás
de balcões e de guichês.
Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
que é mais que a água na grama
que o banho no mar, que o beijo
na boca, mais
que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
te acham e te perdem.
Outros te acham e não te reconhecem
e há os que se perdem por te achar,
ó desatino
ó verdade, ó fome
de vida! 

O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
A cidade. Vista do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
como se estivesse pronta.
Vista do alto,
com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
Mas vista
de perto,
revela o seu túrbido presente, sua
      carnadura de pânico: as
      pessoas que vão e vêm
      que entram e saem, que passam
sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro
sangue urbano
movido a juros.
São pessoas que passam sem falar
e estão cheias de vozes
e ruínas . És Antônio?
És Francisco? És Mariana?
Onde escondeste o verde
clarão dos dias? Onde
escondeste a vida
que em teu olhar se apaga mal se acende?
E passamos
carregados de flores sufocadas.
Mas, dentro, no coração,
eu sei,
a vida bate. Subterraneamente,
a vida bate.

Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
sob as penas da lei,
em teu pulso,
a vida bate.
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
que me sustenta
esta tarde
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
na América Latina.

 

 

UNIVERSIDADES ALEMÃS ‘PARTILHAM DA CULPA’ PELOS PROBLEMAS

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(Tradução de matéria publicada na edição eletrônica de 15/08/2012 da revista semanal alemã Der Spiegel. O texto original em inglês pode ser lido no endereço http://www.spiegel.de/international/germany/press-review-on-bologna-process-education-reforms-a-850185.html)

Já faz 10 anos desde que as controversas reformas de Bolonha começaram a transformar a educação superior na Alemanha. Opiniões divergem sobre se suas metas foram alcançadas, mas editorialistas argumentam que as universidades detêm parcela da culpa pelas salas de aula superlotadas e estudantes insatisfeitos.

As “Reformas de Bolonha” da Educação Superior eram tidas como um plano que traria benefício aos estudantes. Porém, na Alemanha, pelo menos, elas têm se mostrado impopulares entre um grande número de jovens universitários.

O Processo de Bolonha, que foi iniciado em 1999, foi imaginado para modernizar o sistema de educação universitária na Europa, aumentando a intercompatibilidade das instituições e facilitando aos estudantes o intercâmbio entre universidades ou o estudo em um país estrangeiro. Na Alemanha, onde os estudantes em geral acumulavam mais anos de estudo do que nos demais países, o foco foi posto em substituir o antigo modelo de graus por um sistema de bacharelado/mestrado, em que os estudantes poderiam se formar como bacharéis e entrar no mundo do trabalho depois de apenas três anos, ou seguir estudando para obter o grau de mestre.

Mas, muitos estudantes alemães têm mostrado desagrado com as reformas, que transformaram radicalmente o panorama da educação superior no país. Eles se queixam de que um volume excessivo de material foi espremido nos três anos dos cursos de bacharelado e de que não há um número de vagas suficiente à disposição em programas de mestrado. Também dizem que a padronização planejada dos cursos não ocorreu, tornando difícil o intercâmbio entre universidades. Alguns também têm feito críticas ao novo sistema em vista da prioridade que ele dá à preparação dos estudantes para o mercado, em vez de dar a eles uma formação ampla.

Os problemas se acumulam

Neste momento, no aniversário de dez anos desde que as reformas tornaram-se lei na Alemanha, os dirigentes das universidades estão fazendo um balanço. Horst Hippler, o presidente da Conferência dos Reitores da Alemanha (HRK) que representa as instituições de ensino superior, criticou severamente as reformas de Bolonha em uma entrevista publicada na edição de terça do Süddeutsche Zeitung.

A atual prática de apressar os jovens em fazer seus estudos e colocá-los em um emprego está errada, disse Hipler ao jornal. As universidades têm o dever de educar pessoas tanto quanto de treiná-las para um trabalho, disse ele, algo que não acontece com os novos bacharelados. Segundo ele, empresas querem contratar indivíduos que tenham se desenvolvido integralmente, e não apenas indivíduos graduados. Mas, os estudantes necessitam de mais tempo para poder desenvolver suas personalidades, disse ele.

Hippler disse ainda que a meta de facilitar a ida de estudantes para estudos em outros países não havia sido alcançada. O novo Sistema Europeu de Transferência e Acumulação de Créditos (ECTS) não tornou os cursos compatíveis entre si e obter créditos reconhecidos pode ainda ser difícil, relatou.

Na entrevista ao Süddeutsche, Hippler também afirmou que as universidades alemãs precisavam de mais dinheiro para dar conta da atual enxurrada de estudantes. A HRK fez recentemente uma advertência quanto ao aumento acima do esperado de matrículas nas universidades, gerando uma escassez de recursos nas instituições.

Os comentários de Hippler contradisseram a Ministra da Educação Annete Schavan, que na semana passada fez elogios às reformas de Bolonha como “uma história europeia de sucesso”. Schavan afirmou que as metas de internacionalização dos estudos e de redução do tempo necessário para obtenção de um grau acadêmico haviam sido cumpridas.

Na quarta-feira, editoriais de jornais alemães examinaram o sucesso das reformas de Bolonha.

O Financial Times Deutschland escreve:

As reformas de Bolonha, que tiveram início há exatamente 10 anos, eram ambiciosas. Elas alteraram de maneira fundamental graus e universidades na Alemanha, tornando-os mais internacionais e encurtando o período de estudo.”

“No entanto, chamá-las acriticamente de sucesso é ir longe demais. A Ministra da Educação Annette Schavan está sendo complacente demais consigo mesma. Na realidade, muitas das metas das reformas foram apenas parcialmente atingidas. Agora, Horst Hippler identificou claramente os problemas. O número de estudantes realizando intercâmbio é muito baixo, ao passo que o número dos que abandonam é excessivamente alto. As estruturas são demasiado rígidas para dar conta dos estudantes que passam semestres fora, ou para as realidades de ter de combinar os estudos com filhos e com o trabalho em tempo parcial. É verdade que o novo sistema produz graduados com mais rapidez, mas infelizmente também produz menos pessoas com perfil que se ajusta ao que a indústria realmente deseja.”

Mas as próprias universidades têm parte da responsabilidade (pelo fato de os problemas não terem sido corrigidos). No momento, elas não estão efetivamente interessadas em realizar novas reformas. Têm de lidar com quantidades de estudantes maiores do que jamais houve em virtude da demografia e das reformas escolares – e ficam felizes se podem se livrar deles outra vez depois de três anos com um diploma de bacharel nas mãos. Entretanto, muitas dessas pessoas querem seguir estudando, pois têm melhores chances de conseguir um emprego se têm um mestrado. Por outro lado, as universidades não possuem recursos suficientes para oferecer mais vagas em cursos de mestrado.”

O diário de negócios Handelsblatt escreve:

O novo presidente da Conferência de Reitores da Alemanha está insatisfeito com as reformas de Bolonha. E muitos concordam com ele. Mas não há razão para abandonar o novo sistema de bacharelado/mestrado e retornar aos graus antigos.”

Seguramente, ainda há enormes problemas com as maiores reformas pelas quais nossas universidades já passaram. (…) Mas, muitos problemas não têm nenhuma relação com o Processo de Bolonha. Atualmente, 2 milhões de pessoas estão estudando na Alemanha. Este é um fenômeno de larga escala, em que os belos antigos ideais de educação integral humanística já não podem ser alcançados em parte alguma. De fato, isso já havia deixado de ser possível em muitos pontos nas décadas de 1980 e 90.”

A Alemanha implantou as reformas de Bolonha com a típica meticulosidade germânica, e se excedeu em algumas coisas ao longo do processo. Muitas universidades gostariam agora de se concentrar em suas funções fundamentais, o que já é difícil o bastante devido às hordas de estudantes e a uma carência de dinheiro. Não obstante, a reforma do século ainda terá de amadurecer por muitos anos, antes de vir a ser completamente bem sucedida.”

O jornal de esquerda Berliner Zeitung escreve:

O Processo de Bolonha é controverso por boas razões, mas não há alternativa. Mesmo os críticos mais ferrenhos da maior reforma da educação superior de todos os tempos da Europa reconhecem, 10 anos depois de sua introdução, que a ideia política básica era e é vigorosa: permitir que pessoas estudem sem fronteiras e criar intercâmbios sem impedimentos entre pesquisadores de universidades da Europa. O fato de que com frequência mais obstáculos têm sido criados do que removidos não pode ser imputado inteiramente às reformas. Quando Horst Hippler critica Bolonha, ele tem apenas metade da razão. Ele e outros dirigentes de universidades tinham poder para reorganizar os graus universitários de modo a corresponderem a suas ideias.”

Este ano, mais estudantes do que em nenhuma outra época estão marchando para as universidades. Mas, os mais brilhantes e os melhores de nossa suposta sociedade do conhecimento têm primeiro de lutar por um espaço nas salas de aula superlotadas. Isso pouco tem a ver com o Processo de Bolonha e tudo com o fato de que a promessa de transformar a educação em prioridade na Alemanha não foi mantida.”

– David Gordon Smith

A matemática é tão rica quanto a literatura

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(Tradução livre de resenha escrita por Simon Ings do livro Thinking in Numbers, de Daniel Tammet. O texto original em inglês pode ser lido no endereço http://www.newscientist.com/blogs/culturelab/2012/08/mathematics-is-as-rich-as-literature.html)

Muitos escritores talentosos já tentaram traduzir o pensamento matemático em termos que o leitor comum fosse capaz de entender. O novo e despretensioso volume de ensaios, reminiscências e histórias de Daniel Tammet revela a enormidade do insucesso deles. Thinking in Numbers é sem precedentes: um afinado dueto entre matemática e literatura. Mais que isso: é um híbrido. Algo novo. Thinking in Numbers reflete a recusa que Tammet tem apresentado ao longo de toda sua carreira em aceitar que as construções mentais da matemática são de algum modo especiais, abstrusas, apartadas da realidade humana. Sinesteta, poliglota e homem de memória – certa feita, ele recitou o pi até 22.514 casas decimais, estabelecendo um recorde europeu – Tammet tem a convicção de que sua atividade mental autística é normal. As diferenças, tais como elas se afiguram, entre seus pensamentos e os da maioria das outras pessoas têm a ver com o tipo de atenção que ele traz para o mundo. Números têm textura, cor e caráter. Prestarmos atenção a essas qualidades, explorá-las e apreciá-las tem um pouco a ver com nossa herança genética, mas muito mais com nossa experiência de escola, e liga-se fundamentalmente à escolha pessoal. Todos nós pensamos matematicamente o tempo todo. Ter “medo de números”é uma atitude deliberada, uma postura, uma escolha estética, tão certo quanto não “entender” jazz, ou condenar essa ou aquela forma de arte como “lixo”.

Para um livro que lança uma claridade amargamente brilhante sobre nosso imediatismo cultural, há surpreendentemente uma ausência de professoralismo aqui, e não grunhidos de mau humor. Esses ensaios são por vezes descontraídos e confessionais (como quando Tammet, o homem com um cérebro que supostamente opera em capacidade máxima, falha fragorosamente na previsão das mais simples das ações de sua própria mãe). São vistas diversas performances virtuosísticas. (Percebendo que Shakespeare teria estado entre as primeiras crianças inglesas a aprender sobre o zero na escola, Tammet reinterpreta e elucida alguns dos mais poderosos e comoventes versos do poeta-dramaturgo.) Mas Tammet, embora aprecie os números do mágico de salão, não é um showman natural. Ele prefere a persuasão, a conversação e o registro das sutilezas.

A matemática em suas histórias é amiúde muito simples de fato, como quando ele observa, com intensa atenção e compaixão, o quanto um amigo luta para finalmente chegar à solução de uma charada matemática corriqueira. É possível sentir a solidão de Tammet nesses momentos: ele habita um mundo de grande variedade e beleza, mas lamentavelmente recebe poucas visitas. Nós não nos aproximamos de romances, ou mesmo de poesia, de maneira tão temerosa quanto nos acercamos da matemática, embora Tammet demonstre de modo convincente que as três formas estão muito estreitamente relacionadas, possuindo vínculos muito mais vigorosos e demonstráveis do que aqueles que supostamente atam a matemática à música.

Em outra parte, Tammet se inclina para assuntos ligeiramente melancólicos: a efemeridade dos flocos de neve; o idealismo vão que alimenta a criação de cidades impossíveis de construir; os autoenganos alinhavados pela fórmula com aparência científica de Frank Drake, equacionando as chances de haver outras vidas inteligentes no universo.

Thinking in Numbers não é um livro sobre a matemática em si mesma. Ele se volta para o componente matemático da experiência vivida. É sobre as curiosas maneiras sensórias em que medidos o mundo (por exemplo, a preponderância de palavras iniciadas pela letra “g” “para descrever coisas que são ‘grandes’, ou ‘graúdas’, ou ‘grosseiras’ ou ‘gargantuescas””); a pequenez do indivíduo em face do pi; as satisfações retóricas de um teorema elegante; os números primos que ativam certos tipos de poesia.

A matemática, diz Tammet, é ilimitável. É uma linguagem por meio da qual a imaginação humana expressa a si mesma. Provavelmente, isso significa que a matemática tenha, ou mereça ter uma literatura. Em Tammet, ela já possui um poeta.

 Thinking in Numbers

Autor: Daniel Tammet

Editora: Hodder & Stoughton

2012, 288 páginas, em inglês.

Apurando a percepção por meio da arte: Cecília Meireles

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Da solidão

(de Cecília Meireles)

Há muitas pessoas que sofrem do mal da solidão. Basta que em redor delas se arme o silêncio, que não se manifeste aos seus olhos nenhuma presença humana, para que delas se apodere imensa angústia: como se o peso do céu desabasse sobre sua cabeça, como se dos horizontes se levantasse o anúncio do fim do mundo.

No entanto, haverá na terra verdadeira solidão? Não estamos todos cercados por inúmeros objetos, por infinitas formas da Natureza e o nosso mundo particular não está cheio de lembranças, de sonhos, de raciocínios, de idéias, que impedem uma total solidão?

Tudo é vivo e tudo fala, em redor de nós, embora com vida e voz que não são humanas, mas que podemos aprender a escutar, porque muitas vezes essa linguagem secreta ajuda a esclarecer o nosso próprio mistério. Como aquele Sultão Mamude, que entendia a fala dos pássaros, podemos aplicar toda a nossa sensibilidade a esse aparente vazio de solidão: e pouco a pouco nos sentiremos enriquecidos.

Pintores e fotógrafos andam em volta dos objetos à procura de ângulos, jogos de luz, eloquência de formas, para revelarem aquilo que lhes parece não só o mais estático dos seus aspectos, mas também o mais comunicável, o mais rico de sugestões, o mais capaz de transmitir aquilo que excede os limites físicos desses objetos, constituindo, de certo modo, seu espírito e sua alma.

Façamo-nos também desse modo videntes: olhemos devagar para a cor das paredes, o desenho das cadeiras, a transparência das vidraças, os dóceis panos tecidos sem maiores pretensões. Não procuremos neles a beleza que arrebata logo o olhar, o equilíbrio de linhas, a graça das proporções: muitas vezes seu aspecto – como o das criaturas humanas – é inábil e desajeitado. Mas não é isso que procuramos, apenas: é o seu sentido íntimo que tentamos discernir. Amemos nessas humildes coisas a carga de experiências que representam, e a repercussão, nelas sensível, de tanto trabalho humano, por infindáveis séculos.

Amemos o que sentimos de nós mesmos, nessas variadas coisas, já que, por egoístas que somos, não sabemos amar senão aquilo em que nos encontramos. Amemos o antigo encantamento dos nossos olhos infantis, quando começavam a descobrir o mundo: as nervuras das madeiras, com seus caminhos de bosques e ondas e horizontes; o desenho dos azulejos; o esmalte das louças; os tranquilos, metódicos telhados…Amemos o rumor da água que corre, os sons das máquinas, a inquieta voz dos animais, que desejaríamos traduzir.

Tudo palpita em redor de nós, e é como um dever de amor aplicarmos o ouvido, a vista, o coração a essa infinidade de formas naturais ou artificiais que encerram seu segredo, suas memórias, suas silenciosas experiências. A rosa que se despede de si mesma, o espelho onde pousa o nosso rosto, a fronha por onde se desenham os sonhos de quem dorme, tudo, tudo é um mundo com passado, presente, futuro, pelo qual transitamos atentos ou distraídos. Mundo delicado, que não se impõe com violência: que aceita a nossa frivolidade ou o nosso respeito; que espera que o descubramos, sem anunciar nem pretender prevalecer; que pode ficar para sempre ignorado, sem que por isso deixe de existir; que não faz da sua presença um anúncio exigente ” Estou aqui! estou aqui! “. Mas, concentrado em sua essência, só se revela quando os nossos sentidos estão aptos para descobrirem. E que em silêncio nos oferece sua múltipla companhia, generosa e invisível.

Oh! se vos queixais de solidão humana, prestai atenção, em redor de vós, a essa prestigiosa presença, a essa copiosa linguagem que de tudo transborda, e que conversará convosco interminavelmente.

In Janela Mágica, Editora Moderna, pp. 48 – 51.

Ego vs Eco

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“Nos sistemas corruptos, as pessoas decentes têm duas opções: conformar-se ou ser esmagadas”

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(artigo publicado no The Observer e reproduzido da página da revista Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/economia/nos-sistemas-corruptos-as-pessoas-decentes-tem-duas-opcoes-conformar-se-ou-ser-esmagadas/)

 

Malandros! Larápios! Jogadores de dados! Charlatães! Chamar os escroques pelos nomes certos é satisfatório – e talvez seja a única satisfação que o público terá. Mas também é, estranhamente, bastante ingênuo. Pois assume que pessoas melhores e mais decentes não acabariam manipulando as taxas de juros ou ludibriando na venda de produtos financeiros.

Toda a evidência dos muitos escândalos dos últimos anos é que não são os sociopatas que criam culturas podres. São as culturas fechadas, arrogantes e irresponsáveis que transformam pessoas comuns em sociopatas. Coloque uma jovem Madre Teresa, um jovem Nelson Mandela ou são Francisco de Assis na sala de corretagem do Barclays e você pode apostar (com probabilidades cuidadosamente manipuladas) em quanto tempo passará antes que eles estejam metidos até o pescoço em golpes e esquemas.

No entanto, um mito em estilo hollywoodiano de redenção pessoal permanece. O bem-intencionado Vince Cable disse ao programa Channel 4 News na noite de sexta-feira que “a cobiça e a corrupção permeiam partes substanciais do sistema bancário” e que instituições como a Barclays Capital estão “podres até o caroço”.

As duas frases sugerem adequadamente que os problemas são fundamentais e institucionais. Mas o secretário de Economia então concluiu com um apelo otimista a um renascimento moral pessoal como a chave para a reforma: “Há muitas pessoas decentes passando agora pelo sistema bancário… que não fazem parte dessa [cultura podre] e possibilitam esse tipo de mudança em longo prazo”.
Essa é a grande ilusão: que as “pessoas decentes” farão a diferença. Sabemos que nos sistemas corruptos as pessoas decentes acabam tendo duas opções: conformar-se ou ser esmagadas. Felizmente para a natureza humana, sempre há pessoas boas e morais que veem o que está acontecendo ao seu redor e decidem que não poderão viver consigo mesmas se aceitarem aquilo. Infelizmente para a sociedade humana, essas pessoas são quase sempre assediadas, marginalizadas e destruídas. Nos sistemas ruins, a pessoa decente é o maluco, o bizarro, o idiota que não joga no time, não é um de nós.

Em um dos bancos que derrubaram a economia irlandesa, o Allied Irish Bank, por exemplo, três auditores internos sucessivos procuraram a direção com preocupações profundas e precisas sobre práticas corruptas que haviam descoberto. Cada um deles foi demitido ou marginalizado. Em um dos casos, o banco até conseguiu culpar o denunciante pelas práticas corruptas que ele revelou.

É isso que os sistemas ruins fazem: recompensam o submisso com a aprovação tribal (“Boa, rapaz”) e reformulam a consciência como negatividade. Eles invertem o altruísmo usando os instintos de decência – trabalhar de maneira cooperativa, “estar nisto juntos”, defender uma ética comum – para normalizar o comportamento sociopata e tornar a decência desprezível.

Até mesmo as boas intenções são inúteis nesse mundo. Considere, por exemplo, os bispos católicos que acabaram conspirando com os pedófilos predatórios, transferindo-os de paróquia em paróquia. Todos eles são homens treinados durante muitos anos no pensamento moral. Todos eles, talvez, sonhavam em ser santos, da mesma maneira que outros meninos sonhavam em ser jogadores de futebol. A maioria deles são homens individualmente decentes, compassivos e bem-intencionados. Mas acabaram permitindo e encobrindo os mais terríveis crimes contra crianças.

Por quê? Porque eles tinham poder demais. Porque não precisavam responder a ninguém fora de sua própria instituição. Porque tinham uma lealdade ferrenha para com seus colegas. Porque eles não queriam ser aquele que traiu a tribo. Porque o que poderia parecer revoltante na primeira vez tornava-se normal com o tempo. E porque eles puderam se convencer de que realmente tudo era a serviço de um objetivo moral maior.

Os banqueiros não são diferentes – na verdade, os paralelos são marcantes. Eles também lidam com mistérios arcanos cujo significado é negado aos não iniciados. Eles também têm uma linha exclusiva com o Ser Supremo ou, como o chamamos hoje, o Mercado. Eles também operam em mundos fechados que geram suas próprias normas e uma lealdade tribal fervorosa. Eles também têm seus acólitos e verdadeiros fiéis – nesse caso, os economistas e políticos – para tranquilizá-los de que seu comportamento egoísta e revoltante é na verdade para o bem maior. Toda uma ideologia lhes diz que a cobiça viciosa em nível pessoal se traduz milagrosamente em um bem social e econômico coletivo.

Existe outro paralelo entre os banqueiros e os eclesiásticos. Ambos têm estado acima da lei. Ou melhor, cada qual tem seu próprio sistema interno de leis: a lei canônica para o clero, as regulamentações financeiras para os banqueiros. Esses sistemas tornam-se na realidade substitutos para o entendimento básico de criminalidade. Ajude um pedófilo na sociedade comum, e poderá esperar, se for apanhado, passar por apuros. Roube um milhão de libras de uma pequena empresa e você cairá. Mas faça essas coisas dentro dos limites de seus próprios códigos internos e os crimes se tornam ofensas técnicas. A vergonha é minimizada; as consequências são atenuadas.

O que se pode fazer sobre isso? Todo mundo fala sobre a necessidade, na expressão de Mervyn King, de “uma verdadeira mudança na cultura do setor”. Mas “cultura” tem uma sensação delicada. Sugere que estamos lidando com as práticas estranhas de tribos exóticas que enfiam ossos no nariz ou se pintam de azul. Implica que devemos chamar os antropólogos, em vez da polícia.

Não há absolutamente nada de exótico na cultura dos mercadores de golpes sofisticados. Filósofos políticos há muito tempo sabem que quando as pessoas têm o poder de se safar com alguma coisa, elas vão tentar se safar com tudo. Dois mil e quinhentos anos atrás, Platão contou a história de Gyges, que encontrou um anel que o tornava invisível. Em poucas semanas ele se transformou de um pastor inocente em um monstro corrupto.

Os banqueiros têm o anel da invisibilidade de Gyges. A maior parte da sociedade não pode ver o que eles fazem. Eles gozam da impunidade virtual por atos que prejudicam a outras pessoas e à sociedade como um todo.

Mas existe um detalhe a mais: não apenas eles não podem ser vistos plenamente, como eles mesmos não podem ver. A cultura do bônus e a desigualdade grotesca que ela sustenta criam uma desconexão da sociedade comum. Nada lá é real: os clientes são apenas mais insumos para a máquina de lucros; as taxas de juros são apenas números para alimentar bônus.

As pessoas decentes sempre serão devoradas por esse sistema indecente. O verdadeiro desafio é reconhecer que sua indecência não é acidental, mas inerente. Essas instituições são grandes demais, justificadamente arrogantes, com frequência bajulados por lacaios intelectuais e políticos e afastadas demais dos valores democráticos e sociais. Elas levaram o mundo à beira do colapso econômico e sobreviveram com poucas mudanças reais. A menos que as democracias as obriguem a agir de outro modo, elas vão esperar com razão que saiam impunes desses pequenos escândalos.

Pesquisadores criam o display transparente mais fino do mundo sobre a superfície de uma bolha de sabão.

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Bolhas

Olha a bolha d’água
no galho!
Olha o orvalho!
Olha a bolha de vinho
na rolha!
Olha a bolha!
Olha a bolha na mão
que trabalha!
Olha a bolha de sabão
na ponta da palha:
brilha, espelha
e se espalha
Olha a bolha!
Olha a bolha
que molha
a mão do menino:
A bolha da chuva da calha!

Cecília Meireles

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=tvxJs_4m0ZE]

A equipe internacional de pesquisadores, liderada por Yoichi Ochiai da Universidade de Tokio, desenvolveu um sistema que utiliza ondas ultrasônicas para alterar as propriedades da membrana que atua como tela. Explica Ochiai em seu blog:

We developed an ultra thin and flexible BRDF screen using the mixture of two colloidal liquids. There have been several researches on dynamic BRDF display in the past. However, our work is different in several points. Our membrane screen can be controlled using ultrasonic vibrations. Membrane can change its transparency and surface states depending on the scales of ultrasonic waves. Based on these facts, we developed several applications of the membranes such as 3D volume screen.

A combinação de ondas ultrasônicas e membranas ultrafinas cria imagens mais realistas, nítidas e vívidas sobre a tela. Esse sistema contribui para inaugurar um novo caminho para a engenharia de displays em termos de nitidez, transparência e flexibilidade, além de dar suporte a efeitos holográficos e em 3D.

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